Conhece a vida de um veterinário de animais de produção?

Com o lançamento do nosso Blog damos início também a uma mini-série intitulada “A sua exploração conta uma história”, em que iremos visitar várias explorações de Portugal e acompanhar equipas, desde produtores a veterinários de animais de produção, com o intuito de contar as histórias ainda não contadas e transmitir os valores e boas práticas de quem trabalha diariamente na pecuária de bovinos.

A Muuu foi passar o dia com o veterinário João Pedro Medalhas que nos mostrou um pouco mais do seu trabalho diário. Viajámos até ao Distrito de Portalegre, mais precisamente a vila de Monforte, conhecida pela sua forte ligação à agricultura e pecuária.

Acompanhámos o trabalho de cinco pessoas (dois veterinários, um engenheiro, e dois operacionais) no maneio de 140 vacas que teriam que passar na manga para saneamento obrigatório como tuberculinização de todos os animais com mais de 6 semanas (para despiste de tuberculose), colheita de sangue de todos os animais com mais de 12 meses (para despiste de brucelose), vacinação e desparasitação que na OPP de Monforte é obrigatória, e ainda diagnósticos de gestação para controlo reprodutivo.

O objectivo era sobretudo visitar e observar in loco o João no seu dia-a-dia e registar as suas atividades, para implementarmos a melhor experiência em operações de manga na Muuu.

A profissão de veterinário de animais de produção é extremamente difícil, não existindo qualquer rotina, tendo o veterinário que se adaptar à grande imprevisibilidade – como o próprio indica, “posso começar o dia com trabalhos que estão marcados e combinados, como por exemplo os saneamentos obrigatórios, vacinações, desparasitações, diagnósticos de gestação, etc, e acabar o dia já de noite com uma urgência inesperada, como por exemplo os partos distócicos ou prolapsos uterinos, muito comuns na minha clínica diária”.

Diagnóstico de gestação

Também a coordenação entre todos os membros da equipa é crucial para que o trabalho seja eficiente e efectuado rapidamente, contudo depois de um dia cansativo de campo ainda é necessário trabalhar no escritório para manter a informação sobre o animal actualizada. O João aponta para importância da “informatização rápida e massiva de toda a informação que está a acontecer no momento do trabalho de campo. A introdução de todos os dados ficaria rapidamente disponível informaticamente, assim como a possibilidade de pesquisar todo o histórico do animal que temos pela frente.”

Intradermotuberculinização (IDTC)

As dificuldades não aparecem apenas em termos de horários e no registo das actividades com os animais, mas também em termos de tomada de decisões, condicionando o sucesso do negócio, “pode-se pensar que as decisões são tomadas de ânimo fácil, mas um animal improdutivo por qualquer razão é um animal que está a afetar economicamente a exploração”.

Ligados à informação detalhada dos animais estão os certificados de origem e de qualidade, em que o João destaca como sendo “das melhores maneiras de reconhecer o trabalho do produtor pecuário. Mostrar o que produzimos e dar a conhecer a origem dessa mesma produção pode ser a impulsão para o futuro tanto do sector como das próprias explorações e denominações de origem.” Com esse mesmo pensamento o João criou a sua própria página no Facebook onde publica fotos e vídeos com o intuito de divulgar e mostrar todas as vertentes do seu trabalho.

O João falou-nos um pouco também da sua opinião sobre a situação actual do sector pecuário em Portugal, e de como o sector poderia evoluir nos próximos anos, “A mentalidade do “sempre se fez assim” ainda está bem presente na pecuária em Portugal, pese embora que a realidade actual já é diferente. Os apoios comunitários e toda a regulamentação em vigor faz com que os produtores possam orientar-se para a otimização das suas explorações e assim torná-las rentáveis”.

É cada vez mais frequente ver veterinários com uma excelente formação em reprodução, gestão e optimização de efectivos de carne, sendo uma boa alavanca para uma modernização do sector da carne, contudo esta oportunidade não é totalmente aproveitada pelos produtores. O João está convencido que a “chave para ultrapassar todos os entraves passará pelos produtores pecuários olharem para os médicos-veterinários de animais de produção como um investimento viável e necessário para ganharem mais dinheiro e não como um custo que só se deve recorrer em última instância”.

 

Quer que a Muuu conte a sua história? Contacte-nos através do e-mail mail@muuu.io 

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